Região
Beaujolais
O Beaujolais fica ao sul da Borgonha, no departamento do Rhône, e tem 15.000 hectares plantados em 96 vilas. Dominado pela uva Gamay e pela vinificação por maceração carbônica, mantém desde 1930 um vínculo legal com a Grande Borgonha, mas é tratado como região à parte por tudo o que o diferencia: uva, solo, clima e mercado.
Revisado por Tito Dias em 12/10/2026

Beaujolais e a Borgonha
O vinhedo do Beaujolais pertence à Grande Borgonha desde uma sentença judicial de 29 de abril de 1930, e por isso pode produzir algumas AOCs tradicionalmente borgonhesas. Desde 1937, os dez crus do Beaujolais podiam ser rotulados como Bourgogne AOC; com a reforma de 2011, esse direito passou a valer pela AOC Bourgogne Gamay. A área da Bourgogne AOC chega a incluir 85 comunas do departamento do Rhône, e a AOC Coteaux Bourguignons, criada em 2011 no lugar da antiga Bourgogne Grand Ordinaire, abrange partes dos departamentos de Yonne, Côte-d'Or, Saône-et-Loire e Rhône, de Auxerre ao Beaujolais.
O que separa as duas regiões, porém, é maior do que o que as liga: no Beaujolais planta-se Gamay em vez de Pinot Noir, sobre granito e xisto em vez de calcário, com clima sob influência do Rhône e vinificação por maceração carbônica. Na mesma reforma de 2011, cerca de 250 hectares de Chardonnay do Beaujolais perderam o direito à Bourgogne Blanc e passaram a ser vendidos como Beaujolais Blanc. Administrativamente, o Beaujolais está na região de Auvergne-Rhône-Alpes, enquanto a Borgonha está em Bourgogne-Franche-Comté — e preço, mercado e público também são outros.
Características
O Beaujolais tem 15.000 hectares plantados em 96 vilas, com cerca de 2.500 produtores e uma produção de 100 milhões de garrafas — em larga escala, dominada pela uva Gamay. Do total, 98% é vinho tinto; brancos e rosados somam apenas 2%.
O clima é temperado e semicontinental, mais parecido com o do Rhône do que com o da Borgonha, e o solo é composto de granito e xisto sobre calcário no norte e marga no sul. A maceração carbônica (na prática, semicarbônica) é tradicional na região, e muitos vinhos se caracterizam por serem leves, de baixo álcool, poucos taninos, bastante frutados, ácidos e com o toque de banana típico dessa técnica.
O Beaujolais Nouveau é uma criação da indústria local e ainda responde por cerca de um terço da produção, mas o mercado vem se retraindo: as vendas caíram cerca de 10% em 2025.
Beaujolais AOC e Beaujolais Villages AOC
A Beaujolais AOC é a denominação mais extensa, cobrindo as 96 vilas da região, com rendimento de 55 hl/ha. O Beaujolais Supérieur, dentro dessa mesma denominação, tem 0,5% a mais de álcool e tende a ser um pouco mais concentrado.
A Beaujolais Villages AOC tem área mais restrita, de 39 vilas, e rendimento de 50 hl/ha. Seus vinhos tendem a ser mais concentrados, com aromas de pera e frutas tropicais.
Beaujolais Cru AOC — os dez crus
A denominação Beaujolais Cru é restrita a dez vilas na parte norte da região, com rendimento de 48 hl/ha. Diferentemente do resto da Borgonha, ali todas as áreas das vilas são consideradas Cru. Os vinhos têm corpo mais cheio, melhor estrutura e complexidade, principalmente os de Morgon.
- Brouilly, Régnié e Chiroubles — vinhos mais leves - Côte de Brouilly, Fleurie e Saint-Amour — precisam de um a quatro anos de amadurecimento - Chénas, Juliénas, Morgon e Moulin-à-Vent — precisam de quatro a dez anos de amadurecimento
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