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Uva

Pinot Noir

A Pinot Noir é a uva tinta original da Borgonha, onde faz vinhos leves e de taninos baixos, capazes de expressar pequenas variações de terroir. É também uma das três castas do Champagne, a mais plantada, e dá estrutura e corpo ao espumante, e aparece nos tintos e rosés do Alto Loire.

Revisado por Tito Dias em 12/10/2026

Fileiras de videiras podadas de Pinot Noir com colina ao fundo
Foto: Acervo VSX Experiências

Uma uva sensível, que expressa o terroir

A Pinot Noir é original da Borgonha, adaptada a climas frios e ao solo calcário. É uma uva de difícil cultivo, muito suscetível a fungos e doenças, com cachos pequenos e compactos e maturação precoce.

Sua marca registrada é a sensibilidade: é capaz de expressar pequenas variações de terroir. Na boca, os vinhos são leves e de taninos baixos, que amaciam com o tempo.

O auge na Côte de Nuits, presença também na Côte de Beaune

A Côte de Nuits é o território da Pinot Noir, com 24 dos 33 Grands Crus da Borgonha. Vosne-Romanée, que reúne oito Grands Crus (entre eles Romanée-Conti), é uma referência da Pinot Noir. Gevrey-Chambertin é a vila com mais Grands Crus, nove ao todo.

Na Côte de Beaune, a Pinot Noir também está presente, ainda que a sub-região seja mais associada aos brancos: Aloxe-Corton tem 116 ha plantados da uva e reúne o Grand Cru Corton; Pommard é exclusivamente tinta e dá os vinhos mais potentes da Côte de Beaune; e mesmo em Chassagne-Montrachet, onde os brancos ocupam 197 ha, há 106 ha de tintos.

Fora da Côte d'Or: regionais, Chalonnaise e Mâconnais

A Bourgogne AOC regional, que cobre toda a região, é feita de Pinot Noir ou Chardonnay — 1.854 ha são de Bourgogne Rouge ou Pinot Noir AOC. A Bourgogne Passetoutgrain mistura Pinot Noir (mínimo 1/3) com Gamay (máximo 2/3), e o Crémant de Bourgogne usa Pinot Noir e Chardonnay (mínimo de 30%). A Côte de Nuits Villages AOC é quase 100% Pinot Noir, com aromas de cerejas, groselha, amoras, toques herbáceos, trufas e especiarias.

Na Côte Chalonnaise, a uva também é cultivada, ao lado de Chardonnay (e, em Bouzeron, Aligoté). Já no Mâconnais, os tintos costumam ser feitos de Gamay, e os poucos feitos com Pinot Noir são normalmente vendidos como Bourgogne.

No Champagne: a uva que mais planta e dá estrutura

No Champagne, a Pinot Noir responde por 38% das plantações — a mais plantada das três castas —, concentrada sobretudo na Montagne de Reims e na Côte des Bar (Vignoble de l'Aube). O solo de giz da região é ideal para a uva, que dá estrutura e corpo aos vinhos de Champagne. Na Vallée de la Marne ela também aparece, dividindo espaço com a Pinot Meunier.

É uma das três castas permitidas na Champagne AOC (ao lado de Meunier e Chardonnay, além de quatro castas históricas quase extintas) e compõe, junto com a Pinot Meunier, os Champagnes Blanc de Noirs — vinhos brancos feitos só de uvas tintas.

No Loire: tintos e rosés do Centre-Loire

No Vale do Loire, a Pinot Noir é bastante plantada no Centre-Loire, com grande expressão nos solos calcários de Sancerre — onde faz tintos e rosés, ao lado dos brancos de Sauvignon Blanc que dominam a região. A uva também aparece em Menetou-Salon (tintos e rosés), Reuilly (tintos), Coteaux du Giennois (obrigatoriamente misturada com Gamay) e Châteaumeillant (com Gamay, em tintos e vin gris), além de entrar na composição do Crémant-de-Loire.

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