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Região

Alsácia

A Alsácia é uma estreita faixa de 113 km entre os Vosges e o rio Reno, nos departamentos de Haut-Rhin e Bas-Rhin. Produz majoritariamente vinhos brancos (90% do total), em geral varietais — de uma única uva — e secos, com Riesling, Pinot Blanc, Gewurztraminer e Pinot Gris como as uvas mais plantadas.

Revisado por Tito Dias em 12/10/2026

Vila de Kaysersberg com igreja e castelo cercada por vinhedos na Alsácia
Foto: Jean-Pol GRANDMONT / Wikimedia Commons · CC BY 4.0 (recortada)

Uma faixa estreita de vinhedos

A Alsácia tem 113 km de comprimento por apenas 2 ou 3 km de largura, e dois departamentos: Haut-Rhin (Alto Reno) e Bas-Rhin (Baixo Reno). São 15.600 hectares plantados e 4.200 produtores, numa região de grande influência alemã.

Predominam os vinhos brancos (90% do total), secos e, em geral, varietais, de uma única uva. A chaptalização é permitida no Alsace AOC e limitada nos Grand Cru; é proibida no Altenberg de Bergheim, nas colheitas tardias (VT e SGN) e nos tintos. Os vinhos são vendidos na tradicional garrafa chamada flûte.

As uvas mais plantadas são Riesling (21,8%), Pinot Blanc (21,3%), Gewurztraminer (19,8%), Pinot Gris (15,4%), Pinot Noir (10,2%), Sylvaner (6,8%), Muscat (2,3%) e outras (2,4%).

As uvas da Alsácia

A Riesling é aromática, raçuda, expressiva e raramente amadeirada. Tradicional na Alemanha e na Alsácia, sua colheita é tardia, adapta-se bem a solos pobres, com pedras e boa drenagem, faz majoritariamente vinhos secos, expressa bem o terroir e envelhece de forma magnífica.

A Pinot Blanc, também conhecida na região como Klevner, é a versão branca da Pinot Noir. Na prática, o que se vende como Pinot Blanc costuma ser Auxerrois puro ou uma mistura das duas castas. É bastante usada na produção de Crémant d'Alsace, adapta-se melhor a solos profundos e quentes, pedregosos ou não, e tem nariz delicado, com notas de pêssego, maçã e flores — agradável e macia na boca, produz vinhos secos e de álcool moderado.

A Pinot Gris era chamada Tokay d'Alsace ou Tokay-Pinot Gris; o nome deixou de ser usado em 2007, pelas regras europeias que protegem a denominação Tokaj, da Hungria. Combina a complexidade de uma Gewurztraminer com a acidez e a estrutura de um Riesling, e envelhece muito bem. Quando jovem tem notas de pêssego com damasco e defumado, evoluindo para notas de biscoito e manteiga; é bastante utilizada na produção de colheita tardia, pois sua casca fina facilita a proliferação de fungos, e se adapta bem a solos secos, de giz, com boa drenagem e exposição ao sol.

A Gewurztraminer traz notas de lichia, toranja e rosas, é inebriante, de alto teor alcoólico e casca rosada, e seus vinhos costumam ser dourados. Sua alta concentração de açúcar a torna ideal para colheita tardia; a baixa acidez, junto do alto teor alcoólico e do glicerol, causa a impressão de que são doces naturalmente. Amadurece cedo, tem persistência muito longa e faz vinhos de cor dourada, às vezes rosada.

A Sylvaner é pouco conceituada: produz vinhos para beber jovens, de boa acidez e álcool moderado, com notas de flores, herbáceo e cítrico, e faz melhores vinhos nas safras mais quentes — são vinhos secos e de valor baixo. Já a Muscat existe em duas variedades na Alsácia, d'Alsace (ou Blanc) e Ottonel, normalmente misturadas; produz vinhos secos, com aromas primários de uva muito evidentes, deve ser plantada em áreas íngremes e de boa exposição, e é sensível e de difícil cultivo — o Muscat Blanc adapta-se bem a solos calcários, e o Ottonel prefere calcários com argila.

Crémant d'Alsace AOC

Produzido à base de Pinot Blanc e Auxerrois, admite também Pinot Noir, Pinot Gris, Riesling e Chardonnay — esta é a única denominação da Alsácia em que a Chardonnay é permitida. O Crémant d'Alsace Rosé é obrigatoriamente 100% Pinot Noir.

Representa 22% da produção da Alsácia, é muito reconhecido na França e é o crémant número 1 em vendas. Os espumantes são leves e frescos, produzidos com segunda fermentação na garrafa.

Alsace AOC

Vinhos produzidos com uma única uva, com exceção do Edelzwicker ou Gentil, em qualquer área da Alsácia. Representam 74% da produção total. A única uva tinta permitida é a Pinot Noir; também são permitidas Auxerrois e Chasselas — a Auxerrois é significativa, cerca de 10% do vinhedo, mas quase sempre vendida sob o nome Pinot Blanc, e a Chasselas é residual.

Alguns vinhos podem vir com uma denominação de vila — existem ao todo treze vilas autorizadas —, e outros podem vir com o nome de um vinhedo específico no rótulo. São vinhos muito aromáticos e com boa textura, devido ao alto teor alcoólico, que pode chegar a 14%–15%.

Alsace Grand Cru AOC

Vinhos produzidos em 51 áreas demarcadas como Grand Cru, concentradas principalmente no Haut-Rhin, onde é mais quente. A maioria dos vinhedos está em áreas de encosta, com melhor drenagem do solo e melhor maturação das uvas — são vinhos mais potentes, normalmente com exigência de teor alcoólico mínimo mais elevada.

O rendimento é de 55 hl/ha, reduzido para 50 hl/ha nos brancos pela última revisão do caderno de encargos, e a colheita mecânica é proibida. Apenas as uvas nobres da Alsácia podem compor os vinhos: Riesling, Pinot Gris, Gewurztraminer e Muscat. Há três exceções: Altenberg de Bergheim e Kaefferkopf admitem assemblage, e Zotzenberg admite Sylvaner.

Alguns produtores importantes preferem não utilizar o nome Grand Cru, e sim o nome histórico: o famoso Trimbach Clos Ste-Hune é do vinhedo Grand Cru Rosacker.

Vendanges Tardives e Sélection de Grains Nobles

Vendanges Tardives são vinhos elaborados a partir das uvas nobres (Riesling, Pinot Gris, Gewurztraminer ou Muscat) colhidas tardiamente, podendo ser Alsace AOC ou Alsace Grand Cru AOC. Alguns produtores optam por fermentar todo o açúcar da uva, deixando o vinho seco e com alto teor alcoólico.

Sélection de Grains Nobles é produzido apenas com uvas botritizadas, com seleção rigorosa, e tem caráter similar aos Sauternes de Bordeaux e aos Tokaji da Hungria. Pode ser produzido como Alsace AOC ou Alsace Grand Cru AOC, a partir de uvas botritizadas selecionadas.

Produtores de referência

Domaine Paul Blanck, Léon Beyer, Albert Boxler, Ernest Burn, Marcel Deiss, Dirler-Cadé, Hugel & Fils, Josmeyer, André Kientzler, Albert Mann, Muré, Domaine Ostertag, Domaine Schlumberger, Schoffit, Trimbach, Domaine Weinbach, Domaine Zind-Humbrecht.

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