The Wine School

Uva

Gamay

A Gamay é a uva que domina o Beaujolais, numa produção 98% tinta, e ganha o toque de banana típico da maceração carbônica. É também a segunda uva tinta mais plantada do Vale do Loire, usada como varietal em Anjou e Touraine, e aparece em denominações regionais da Borgonha, região à qual o Beaujolais está ligado por uma sentença judicial de 1930.

Revisado por Tito Dias em 12/10/2026

Cacho de Gamay ainda verde em vinhedo do Beaujolais
Foto: Sebleouf / Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0 (recortada)

Uma uva fértil

A Gamay é uma uva fértil, que produz cachos de tamanho médio e uvas em formato oval, de cor azulada e quase preta quando madura. Adapta-se bem a solos graníticos e siliciosos. Os vinhos têm cor rubi com toques púrpuras e aromas intensos de frutas vermelhas e negras, às vezes com um toque animal.

Um dado histórico: assim como a Melon de Bourgogne, a Gamay teve seu cultivo proibido em alguns momentos.

No Beaujolais, a uva quase exclusiva

O Beaujolais é dominado pela Gamay, e 98% da produção da região é de vinho tinto, sobre solos de granito e xisto. A vinificação por maceração carbônica é a assinatura da região e explica o toque de banana típico dos vinhos, ao lado da leveza, do baixo teor alcoólico, dos poucos taninos, do caráter bastante frutado e da acidez. O Beaujolais Nouveau, criação da indústria local, ainda responde por cerca de um terço da produção, embora as vendas estejam em queda.

Dentro da hierarquia local, a Beaujolais AOC cobre as 96 vilas da região; a Beaujolais Villages AOC se restringe a 39 vilas e resulta em vinhos mais minerais e concentrados; e a Beaujolais Cru AOC reúne dez vilas do norte, com vinhos de corpo mais cheio e melhor estrutura — destacam-se especialmente os de Morgon como exemplo dessa exceção à leveza típica da uva.

O vínculo entre Beaujolais e Borgonha é legal: desde uma sentença judicial de 29 de abril de 1930, o vinhedo do Beaujolais pertence à Grande Borgonha, e, desde 1937, os dez crus podiam ser rotulados como Bourgogne AOC — com a reforma de 2011, pela AOC Bourgogne Gamay. O que separa as duas regiões é justamente a uva — Gamay em vez de Pinot Noir — e o solo — granito e xisto em vez de calcário — além do clima com influência do Rhône e da vinificação por maceração carbônica.

Presença nas denominações regionais da Borgonha

Fora do Beaujolais, a Gamay entra em algumas denominações regionais borgonhesas: a Bourgogne Passetoutgrain AOC mistura Pinot Noir (mínimo 1/3) com Gamay (máximo 2/3); no Mâconnais, os tintos são normalmente feitos com Gamay, enquanto os de Pinot Noir são normalmente vendidos como Bourgogne, a preços mais elevados; e o Crémant de Bourgogne admite Gamay entre as uvas limitadas a 20% (com Aligoté, Sacy e Melon).

No Loire: a segunda uva tinta mais plantada

No Vale do Loire, a Gamay é a segunda uva tinta mais plantada da região, usada principalmente como varietal em Anjou e Touraine — as melhores versões vêm de solos graníticos e de silício com argila. Na Touraine AOC, a Gamay responde por 60% dos tintos, ao lado de Cabernet Franc, Côt (Malbec), Cabernet Sauvignon, Pineau d'Aunis e Pinot Noir.

A uva também entra na composição do Rosé d'Anjou AOC e do Rosé-de-Loire AOC, e, no Centre-Loire, é obrigatoriamente misturada com Pinot Noir nos tintos da AOC Coteaux du Giennois e aparece ao lado dela nos tintos e vin gris de Châteaumeillant. Na IGP Val de Loire, as menções primeur e nouveau aparecem sobretudo em Sauvignon Blanc e Gamay.

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