Appellation
Pomerol
Pomerol é uma denominação pequena da margem direita de Bordeaux, sem nenhuma classificação oficial, dominada pela Merlot sobre solos de argila e cascalho ferruginoso. É de lá que vêm vinhos cultuados e caros como Pétrus e Le Pin, produzidos em propriedades simples, sem a estrutura de recepção que existe no Médoc.
Revisado por Tito Dias em 12/10/2026

Uma denominação pequena e sem classificação
Pomerol é pequena — apenas 780 hectares e cerca de 150 produtores, quase todos de produção mínima — e não tem classificação alguma. Os grandes vinhos são feitos à base de Merlot, às vezes quase varietais: corpo cheio, densos, de muita textura.
Os solos mais conhecidos combinam cascalho com argila rica em ferro, a chamada crasse de fer, uma camada ferruginosa do subsolo que assina a textura característica dos vinhos. No centro da denominação fica a boutonnière, um platô de argila azul onde estão os châteaux Pétrus, Le Pin, Lafleur e Vieux Château Certan.
Diferente do Médoc, Pomerol não tem châteaux monumentais: são casas simples de lavradores. A fama da denominação é recente — até o pós-guerra, a produção era vendida a granel, e foi o négociant Jean-Pierre Moueix quem levou Pomerol ao mercado americano.
A Merlot ocupa cerca de 80% do plantio; o restante é Cabernet Franc, chamada de Bouchet na margem direita. O rendimento máximo é de 49 hl/ha. Quase toda a produção é vendida por alocação, pelos négociants da Place de Bordeaux — visitar os châteaux é raro, porque a denominação não tem a estrutura de recepção que existe no Médoc.
Os châteaux de Pomerol
- Château Pétrus — quase 100% Merlot, sobre o coração da argila azul; por décadas, um dos vinhos mais caros do mundo, com produção de cerca de 30 mil garrafas por ano - Château Lafleur — quatro hectares e meio, metade Cabernet Franc; desde 2025 rotulado como Vin de France - Château L'Église-Clinet — vinhas velhas, algumas pré-filoxera; produção mínima e preços de leilão - Château La Conseillante — perfume floral e taninos sedosos; faz divisa com Cheval Blanc - Château Clinet — no alto do platô, ao lado de Pétrus; retomada notável desde os anos 1980, com Merlot concentrado e boa acidez - Le Pin — dois hectares e pouco mais de 6 mil garrafas; criado em 1979 pela família Thienpont, tornou-se símbolo do vinho de culto - Vieux Château Certan — também da família Thienpont; a maior proporção de Cabernet Franc e Cabernet Sauvignon do platô, o mais clássico dele - Château Trotanoy — argila pesada e vinho austero na juventude; uma das joias da casa Moueix - Château L'Évangile — vizinho de Pétrus, da família Rothschild de Lafite desde 1990 - Château La Fleur-Pétrus — da casa Moueix, entre Pétrus e Lafleur; elegante e mais acessível que os vizinhos
Em 2025, a família Guinaudeau, dona do Château Lafleur, deixou a AOC Pomerol e a denominação Bordeaux: desde essa safra, os seis vinhos da casa saem como Vin de France. As regras de irrigação e de variedades autorizadas não acompanham o clima atual.
O satélite de Pomerol
Ao norte de Pomerol fica Lalande de Pomerol AOC, com 1.190 hectares, incluindo a comuna de Néac. A Merlot é dominante ali, com a textura de Pomerol a uma fração do preço.
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