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Cabernet Franc

A Cabernet Franc brilha em duas regiões da França: é a uva tinta mais plantada do Vale do Loire, onde faz vinhos varietais e rosés e é a base dos tintos de Chinon e Bourgueil, e tem grande importância na margem direita de Bordeaux, sobretudo em Saint-Émilion e Pomerol. É prima da Cabernet Sauvignon e uma de suas castas-mãe.

Revisado por Tito Dias em 12/10/2026

Vinhedo de Cabernet Franc em Saumur-Champigny com igreja ao fundo
Foto: Joeri Cornille / Wikimedia Commons · CC BY 2.0 (recortada)

A uva-símbolo do Vale do Loire

No Loire, a Cabernet Franc — chamada localmente de Breton — é a uva tinta mais plantada da região, e os vinhos do Vale do Loire são sua grande expressão. Ela se adapta bem a climas frios e interioranos, e é plantada principalmente em Anjou-Saumur e Touraine, onde faz vinhos varietais e rosés.

Chinon, Bourgueil e Saint-Nicolas-de-Bourgueil produzem tintos elaborados à base de Cabernet Franc, com até 10% de Cabernet Sauvignon permitido para encorpar o vinho — embora esse uso seja incomum. As três denominações somam 2.400, 1.400 e 1.080 hectares plantados, respectivamente. Os vinhos são leves, de aromas de frutas vermelhas típicas da Cabernet Franc; em solos de giz, ganham mais corpo e longevidade.

Em Anjou-Saumur, a Cabernet Franc é a uva majoritária do Anjou Rouge, do Anjou Villages e do Anjou Villages Brissac; nestes dois últimos, um pouco de Cabernet Sauvignon dá ao vinho mais peso e taninos. Divide com a Cabernet Sauvignon o Cabernet d'Anjou, o Saumur Rouge e o Saumur-Champigny, entra nos rosés do Saumur Fines Bulles e complementa o Rosé d'Anjou, de base Grolleau. Em Touraine, é uma das uvas tintas da Touraine AOC, ao lado de Gamay (60%), Côt (Malbec), Cabernet Sauvignon, Pineau d'Aunis e Pinot Noir. Também compõe o Crémant-de-Loire AOC e o Rosé-de-Loire AOC.

Importância na margem direita de Bordeaux

Em Bordeaux, a Cabernet Franc é chamada de Bouchet na margem direita, onde tem grande importância, ao contrário do papel minoritário que ocupa na margem esquerda — onde compõe cerca de 10% das plantações do Médoc, espaço que vem perdendo para a Merlot.

Em Saint-Émilion, é a segunda uva mais usada, atrás da Merlot (60% do plantio). O Cheval Blanc é um exemplo conhecido do uso dessa uva. Em Pomerol, a Cabernet Franc é o que resta do plantio depois da Merlot (cerca de 80%) — e no Château Lafleur, ela chega à metade do vinhedo. No Vieux Château Certan, a maior proporção de Cabernet Franc e Cabernet Sauvignon do platô marca o estilo do vinho.

Em Bergerac, a Cabernet Franc está entre as castas tintas principais autorizadas para as nove denominações da região, ao lado de Cabernet Sauvignon, Merlot e Côt (Malbec). No Sudoeste, aparece também na Madiran AOC, como uva secundária ao lado da Cabernet Sauvignon e da Fer, num corte dominado pela Tannat (70%).

Prima e mãe da Cabernet Sauvignon

A Cabernet Franc é prima da Cabernet Sauvignon e, ao mesmo tempo, uma de suas castas-mãe: segundo o estudo de Bowers & Meredith (Nature Genetics, 1997), a Cabernet Sauvignon nasceu de um cruzamento espontâneo entre a Cabernet Franc e a Sauvignon Blanc, em Bordeaux.

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