Uva
Chenin Blanc
A Chenin Blanc é uma uva branca nativa do Vale do Loire, também conhecida ali como Pineau de la Loire. Sua grande acidez e versatilidade permitem produzir vinhos brancos e espumantes, secos e doces, de grande capacidade de envelhecimento, com maior expressão em Anjou-Saumur e Touraine.
Revisado por Tito Dias em 12/10/2026

Uma uva, muitos estilos
Nativa do Loire, a Chenin Blanc tem grande capacidade de produzir vinhos em diferentes estilos: brancos e espumantes, secos e doces, com grande acidez e aromas de flores, maçã verde e mel. É capaz de produzir vinhos de grande longevidade, e sua maior expressão está em Anjou-Saumur e Touraine.
Anjou-Saumur: do seco ao doce
O Anjou Blanc AOC exige no mínimo 80% de Chenin Blanc, completado por Chardonnay e/ou Sauvignon Blanc; o Saumur Blanc AOC também parte de 80% de Chenin, mas só admite Chardonnay como complemento. Em Anjou, os solos de xisto trazem aromas de mel e pêssego; em Saumur, os vinhos ganham notas de frutas brancas em compota, flores brancas, mineral e defumado, finos e elegantes.
No espumante Saumur Fines Bulles AOC, feito pelo método tradicional, a Chenin dá acidez alta e notas de maçã verde e pão tostado — perfil que aproxima o Saumur do Champagne. Vale comparar com o Crémant de Loire, da mesma região, mas com prensagem de cachos inteiros, rendimento menor e doze meses sobre as leveduras.
Nos doces de Anjou Coteaux de la Loire, Coteaux de l'Aubance e Coteaux de Saumur, a Chenin Blanc é colhida manualmente, às vezes botritizada, e dá vinhos de aromas exóticos de pêssego e frutas brancas doces, equilibrados por excelente acidez.
No Coteaux du Layon — incluindo as denominações comunais e o 1er Cru Chaume — a Chenin Blanc produz vinhos ricos, untuosos, intensos, complexos e persistentes, com aromas de mel de acácia, frutas tropicais, damasco e marmelo, capazes de durar até 100 anos em grandes safras. Em Bonnezeaux e no vizinho Quarts-de-Chaume Grand Cru — o único Grand Cru do Vale do Loire —, os rendimentos são de 25 hl/ha e 20 hl/ha, este um dos mais baixos da França, e os vinhos trazem notas florais, cítricas, de frutas exóticas, damasco, mel, pimentas e especiarias; costumam pedir muitos anos em garrafa.
Em Savennières, a Chenin Blanc faz brancos secos, com uma minoria de demi-secs e doces, de grande longevidade, que costumam pedir alguns anos de garrafa. As AOCs encravadas de La Roche aux Moines e La Coulée de Serrant (esta, monopólio do produtor Nicolas Joly) produzem brancos secos raramente doces ou demi-sec, com aromas intensos e complexos de tília, anis, toranja, samambaia, pera, mel e marmelada, corpo cheio e amplo, muita acidez, mineralidade e persistência.
Touraine: Vouvray e Chinon
Em Vouvray e Montlouis-sur-Loire, os vinhos são de Chenin Blanc (em Vouvray, o Orbois é permitido como acessória), com grande diversidade de secos a doces, além de espumantes — a instabilidade climática da região faz o estilo variar bastante de safra para safra. Em Chinon, brancos à base de Chenin Blanc são permitidos, mas representam apenas 2% da produção. Na Touraine AOC em geral, a Chenin Blanc completa a Sauvignon (80% das brancas), e a Chardonnay tem menos importância.
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