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Uva

Mourvèdre

A Mourvèdre é uma uva poderosa, adaptada a solos com exposição sul, onde há maior incidência de sol. No Rhône Sul é cada vez mais reconhecida pela qualidade e entra em assemblages com Grenache e Syrah; na Provence, é a casta nobre local e o coração de Bandol, onde precisa somar no mínimo 50% dos tintos e 20% dos rosados.

Revisado por Tito Dias em 12/10/2026

Cacho de Mourvèdre (Monastrell) maduro na videira
Foto: Julius Kühn-Institut (VIVC) / Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0 (recortada)

Uma uva de sol, cada vez mais valorizada

A Mourvèdre é bastante cultivada no Rhône Sul e vem sendo cada vez mais reconhecida pela sua qualidade. Adapta-se muito bem a áreas de solo com exposição sul, onde há maior incidência de sol. É uma uva poderosa, que produz vinhos encorpados, cheios, com muitos taninos, persistência e boa textura.

Jovem, a Mourvèdre tem aromas de amoras e cerejas negras, que evoluem para trufas, couro, geleia de frutas negras, especiarias e suor.

Parceira no Rhône Sul e no Languedoc-Roussillon

No Rhône Sul, a Mourvèdre aparece em assemblages. Na Côtes-du-Rhône Villages AOC, a base de 50% de Grenache é completada por 20% de Syrah e/ou Mourvèdre. Em Châteauneuf-du-Pape, Grenache, Syrah e Mourvèdre são as principais uvas para os tintos, com a Cinsault como complemento; em Gigondas, a Grenache mínima de 50% é completada por Syrah e Mourvèdre; em Cairanne, a mesma dupla completa a Grenache.

No Languedoc-Roussillon, Syrah, Grenache, Carignan e Mourvèdre são as uvas predominantes dos tintos da região. Na Languedoc AOC, os tintos precisam somar pelo menos 50% de Grenache, Syrah e Mourvèdre; em Minervois, o mínimo sobe para 60% da mesma trinca. Em Fitou, a Mourvèdre e/ou a Syrah são castas complementares obrigatórias, completando a base histórica de Carignan e Grenache; em Pic Saint-Loup, Syrah, Grenache e Mourvèdre precisam somar no mínimo 90% da assemblage. Em Boutenac, ela acompanha o Carignan velho e a Grenache e a Syrah nos tintos densos e de taninos firmes da denominação; em La Livinière, ela aparece ao lado da Syrah — casta condutora da denominação — e da Grenache.

Bandol: a casta nobre da Provence

Na Provence, a Mourvèdre é a casta nobre local, exigida em no mínimo 50% nos tintos de Bandol — a principal denominação de tintos da região, ainda que a própria produção de Bandol seja majoritariamente rosé. A AOC tem cerca de 1.600 hectares de superfície de produção em oito comunas do Var, com clima quente, ideal para o amadurecimento da Mourvèdre, que compõe no mínimo 50% da assemblage nos tintos e 20% nos rosados. Grenache e Cinsault são as duas outras uvas mais utilizadas, enquanto Syrah e Carignan ficam limitadas a no máximo 15% do corte.

Cerca de 75% da produção de Bandol é rosé, 21% tinto e 4% branco — a reputação da denominação vem dos tintos, mas o volume é de rosé. Os tintos têm cor intensa, com aromas de couro, frutas negras, baunilha e canela, e costumam pedir muitos anos de garrafa; os rosés trazem notas de pimenta e terra e se assemelham aos rosés de Tavel. Na Côtes de Provence AOC, a Mourvèdre também está entre as uvas usadas nos tintos e rosés, ao lado de Syrah, Grenache, Cinsault, Tibouren, Carignan e Cabernet Sauvignon.

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