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Uva

Syrah

A Syrah é a principal tinta do Rhône Norte e uma das principais do Rhône Sul. Predomina no Rhône Norte, onde produz vinhos quase varietais em Crus como Cornas, Côte-Rôtie e Hermitage, e no Rhône Sul, no Languedoc-Roussillon e na Provence entra como parceira de assemblage ao lado da Grenache e da Mourvèdre.

Revisado por Tito Dias em 12/10/2026

Cachos de Syrah maduros em videira velha de tronco retorcido
Foto: Verita / Wikimedia Commons · CC BY-SA 3.0 (recortada)

A uva mais importante do Rhône

A Syrah é a uva mais importante de toda a região do Rhône. Predomina principalmente no norte, onde consegue expressar diferentes terroirs e chega a produzir vinhos quase varietais. Tem rendimento baixo e boa estrutura, com paladar marcante e cheio de especiarias.

Os vinhos de Syrah têm alto teor alcoólico, taninos altos e acidez baixa. Na taça, aparecem framboesa, mirtilo e amora, além de violetas, trufas, pimenta, chocolate, café e mentol.

A espinha dorsal dos Crus do Rhône Norte

No Rhône Norte, a Syrah é a base dos Crus tintos. Côte-Rôtie produz 100% de vinhos tintos, elaborados com Syrah e Viognier, em vinhedos muito íngremes, que chegam a 60° de inclinação; os vinhos são encorpados, mas de taninos finos e elegantes, com aromas de especiarias, frutas negras maduras e violetas, e grande capacidade de envelhecimento. Em Saint-Joseph, os tintos são elaborados com Syrah e 10% de Roussanne e/ou Marsanne, e resultam em vinhos mais acessíveis, em geral prontos em três ou quatro anos.

Em Hermitage, os tintos são compostos de Syrah com até 15% de Roussanne e Marsanne, em vinhedos concentrados num único monte, com exposição solar privilegiada. Crozes-Hermitage, o maior Cru do Rhône Norte em hectares, produz uma Syrah de acesso mais fácil e preços mais acessíveis. Já em Cornas a Syrah aparece sozinha — 100% da assemblage, sem nenhum branco — em encostas de granito, resultando em tintos densos e tânicos que costumam pedir muitos anos de garrafa.

Parceira da Grenache no Rhône Sul

No Rhône Sul, a Syrah divide a cena com a Grenache. A Côtes-du-Rhône AOC, o degrau de base da pirâmide regional, tem corte predominante de Grenache e Syrah entre as 21 uvas permitidas: os tintos e rosados precisam de no mínimo 40% de Grenache, exceto nos vinhedos localizados no norte do Rhône, que podem usar percentuais maiores de Syrah. Um degrau acima, a Côtes-du-Rhône Villages AOC exige um mínimo de 50% de Grenache mais 20% de Syrah e/ou Mourvèdre.

Em Châteauneuf-du-Pape, o Cru mais conhecido do sul, Grenache, Syrah e Mourvèdre são as principais uvas para os tintos, com a Cinsault entrando como complemento, dentro de uma paleta de 13 castas (18 contando as variantes de cor autorizadas desde 2009). Em Gigondas, a Grenache mínima de 50% é completada por Syrah e Mourvèdre; em Cairanne, a mesma dupla completa a Grenache. Em Beaumes-de-Venise, tradicionalmente uma região de vinhos doces, a produção de tintos à base de Syrah e Grenache foi liberada em 2005. Nos Côtes du Vivarais, a dupla Syrah e Grenache também está por trás dos assemblages tintos robustos da denominação.

No Languedoc-Roussillon e na Provence

No Languedoc-Roussillon, Syrah, Grenache, Carignan e Mourvèdre são as uvas predominantes dos tintos, majoritariamente encorpados. Na Languedoc AOC, o degrau regional da pirâmide, os tintos precisam somar pelo menos 50% de Grenache, Syrah e Mourvèdre. A Syrah também está entre as uvas cultivadas em Faugères, entra no Minervois (mínimo de 60% de Grenache, Syrah e Mourvèdre) e entra em Fitou, com a Mourvèdre, como casta complementar obrigatória (uma ou outra) e da base histórica de Carignan e Grenache. Em La Livinière, a Syrah é a casta condutora, acompanhada por Grenache e Mourvèdre; em Pic Saint-Loup, os tintos e rosés levam Syrah, Grenache e Mourvèdre somando no mínimo 90%, sempre com Syrah na assemblage.

Na Provence, a Côtes de Provence AOC lista a Syrah entre as uvas dos tintos e rosés, ao lado de Grenache, Cinsault, Tibouren, Mourvèdre, Carignan e Cabernet Sauvignon. Já em Bandol, onde a Mourvèdre domina a assemblage, o papel da Syrah é bem mais discreto: junto com o Carignan, ela é limitada a no máximo 15% do corte.

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