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Espanha

A Espanha é hoje o terceiro maior produtor de vinho do mundo. Sua viticultura começou com fenícios e gregos na Andaluzia, atravessou romanos e mouros e, desde os anos 90, vem passando por sua mudança mais profunda. O país reúne tintos de Tempranillo, brancos como os de Albariño e Verdejo, espumantes e fortificados.

Revisado por Tito Dias em 12/10/2026

Vinhedo de cepas baixas em solo pedregoso com serra ao fundo, na Rioja
Foto: Acervo VSX Experiências

Das origens ao domínio mouro

Há registros de videiras cultivadas desde 4.000 a.C. A produção de vinho começou na Andaluzia entre 1100 e 500 a.C., primeiro pelas mãos de mercadores fenícios e depois dos gregos.

Os romanos chegaram em 218 a.C. e transformaram a vitivinicultura. O vinho espanhol passou a abastecer Roma, que foi o primeiro mercado de exportação da Espanha.

Em 711, os mouros invadiram a Espanha, e o comércio de vinho sofreu fortes restrições durante o domínio muçulmano. Ainda assim, a cultura do vinho sobreviveu à passagem dos bárbaros e dos árabes, porque uma pequena produção foi mantida para atender aos cristãos. E o Jerez, no século XIV, tornou-se um importante produto de exportação, vendido por toda a Europa.

Colonização, filoxera e democracia

A colonização espanhola abriu novos mercados para o vinho do país.

No fim do século XIX, quando a filoxera se espalhava pela Europa, muitos produtores de outras regiões levaram para a Espanha suas mudas e seus conhecimentos. A praga só atingiu o país anos depois, e de modo lento, o que facilitou o seu controle.

O grande salto veio no final do século XX, com a prosperidade que acompanhou o retorno da democracia, em 1978.

A modernização desde os anos 90

Desde a década de 1990, a indústria de vinho espanhola vem passando por sua mudança mais profunda, com considerável modernização. A modernização não ficou só no campo: incluiu também toda a regulamentação do setor.

Hoje os vinhos espanhóis são organizados em categorias, do Vino de Pago, ligado a uma única propriedade, às DOCas, às mais de 70 DOs e aos Vinos de la Tierra. Hoje há apenas duas DOCas: Rioja e Priorat.

As principais regiões

- Rioja: DOCa no norte do país, nas duas margens do rio Ebro, dividida em Rioja Alta, Rioja Alavesa e Rioja Oriental. A Tempranillo domina os tintos. - Ribera del Duero: DO protegida da influência marítima por montanhas, com vinhedos em grandes altitudes e tintos de base Tempranillo. - Rueda: ao sul de Ribera del Duero, com vinhedos em platôs de até 800 metros e a branca Verdejo. - Andaluzia: berço dos vinhos fortificados espanhóis; o mais conhecido é o Jerez. - Galícia: região úmida, de influência atlântica, dominada pelos brancos; sua principal DO é Rías Baixas, terra da Albariño. - Cava: espumante de método tradicional, com área regulada de 160 municípios em sete regiões espanholas; as casas de Sant Sadurní d'Anoia, na província de Barcelona, respondem por 85% de todo o Cava. - Montsant: DO desde 2001, com vinhedos de destaque em terraços íngremes e o solo local chamado llicorella. - Priorat: a outra DOCa do país, território da ardósia, com vinhedos em encostas muito íngremes.

A Tempranillo e a diversidade de estilos

A Tempranillo é a base dos tintos da Rioja, onde responde por 87% das uvas tintas, e de Ribera del Duero, onde os tintos levam no mínimo 75% dela. Seu traço marcante é a versatilidade: conforme as técnicas de cultivo e de vinificação, dá desde vinhos leves e fáceis até vinhos complexos e gastronômicos. Em Portugal, ela é conhecida como Tinta Roriz e Aragonez.

Ao lado dos tintos, a Espanha produz brancos como os de Albariño, na Galícia, e de Verdejo, em Rueda; espumantes, com o Cava; e fortificados, com o Jerez da Andaluzia, feito de Palomino Fino, Pedro Ximénez e Moscatel.

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