País
Itália
A Itália produziu 41 milhões de hectolitros de vinho em 2024 e foi o maior produtor do mundo naquele ano. Tem 20 regiões administrativas, uma legislação de vinhos grande e complexa e uma estimativa de 375 a 500 variedades de uvas nativas — uma das maiores diversidades de uvas do mundo.
Revisado por Tito Dias em 12/10/2026

Das origens gregas ao Império Romano
A história do vinho na Itália começa com os gregos micênicos (1600–1100 a.C.), no sul da Itália continental e na Sicília, e com os etruscos, nas áreas mais centrais. Os gregos consideravam a Itália o lugar perfeito para plantar vinhas e a chamavam de Oenotria, a terra das vinhas treinadas.
A partir do século VIII a.C., os gregos colonizam o sul da península, enquanto os cartagineses — considerados mestres na produção de vinhos — disputam o domínio de boa parte do Mediterrâneo. Depois da derrota de Cartago nas Guerras Púnicas, por volta de 146 a.C., a cultura do vinho romana ganhou novo impulso. Em 92 d.C., o imperador Domiciano proibiu novos vinhedos na Itália e mandou arrancar metade dos vinhedos das províncias, para abrir espaço ao plantio de alimentos, sinal do quanto a vinha havia se espalhado.
Durante boa parte do Império Romano, o cultivo de videiras era proibido no resto da Europa, e Roma usava seu vinho como moeda de troca por escravos, sobretudo da Gália, atual França, onde o consumo era intenso. Quando a lei foi relaxada, o cultivo se espalhou pela Europa, principalmente pela Gália e pela Hispânia; a uva mais usada na época era a biturica, às vezes apontada como ancestral da Cabernet Sauvignon (hipótese não comprovada).
O que os romanos deixaram
Os romanos desenvolveram e difundiram várias técnicas que aprimoraram a produção de vinho: novos sistemas de condução das vinhas, prensas melhores, a classificação das uvas mais apropriadas para cada clima, o aumento da produtividade e o envelhecimento em barris de carvalho. O consumo de vinhos envelhecidos, entre 10 e 25 anos, já era bastante valorizado.
Das tenutas ao renascimento dos anos 70
Por volta de 1855, quando os franceses criaram a classificação dos vinhos de Bordeaux, a Itália era dominada pelas tenutas: famílias nobres eram donas das terras e as cediam a trabalhadores rurais, que as cultivavam em troca de parte das uvas.
Com o fim da Segunda Guerra, a Itália virou República. Uma tentativa de reforma agrária fracassou, por ser inviável de implementar e por corrupção. Entre 1951 e 1971, mais de 9 milhões de pessoas migraram dentro do país, principalmente para as grandes cidades industriais do norte, e muitas propriedades foram abandonadas ou vendidas.
Nos anos 60 e 70, a produção era dominada por vinhos em grande escala feitos pelas cantinas sociais, com apoio do governo. Com tantas terras disponíveis, a partir dos anos 70 investidores internacionais e industriais italianos passaram a recuperar propriedades abandonadas. Novas gerações de produtores trouxeram novas técnicas, e muitos passaram a engarrafar os próprios vinhos.
O sistema de classificação dos vinhos foi implantado em 1963. O ano de 1990 foi um marco do vinho italiano: uma safra de destaque somada a forte projeção e reconhecimento internacional.
A Itália em números
- Produção: 41 milhões de hectolitros em 2024, a maior do mundo no ano - Área de vinhedos: 702.000 hectares - Produtores de uvas para vinho: 310.000 - Exportação: 21,4 milhões de hectolitros em 2023, maior exportador do mundo em volume - Consumo: 42,7 litros por pessoa ao ano; segundo maior consumidor em volume em 2024 (OIV) - Uvas nativas: estimativa de 375 a 500 variedades
A legislação de vinhos é grande e complexa, com uma hierarquia em quatro degraus. No topo estão quase 80 DOCGs e cerca de 333 DOCs; abaixo vêm as IGTs e os Vini da Tavola.
Onde se colhe mais uva
Na colheita de 2024, segundo o Istat, as regiões com mais uvas para vinho foram o Vêneto (Veneto, 1.373.290 toneladas), a Puglia (1.210.100 t) e a Emília-Romanha (Emilia-Romagna, 951.845 t). Em seguida aparecem Sicília, Toscana, Abruzzo, Piemonte, Friuli Venezia Giulia, Campânia, Lácio, Lombardia, Trentino-Alto Ádige, Marche e Úmbria.
Fecham a lista Molise, Sardenha, Calábria, Ligúria, Basilicata e Vale de Aosta, que teve a menor colheita: 1.964 toneladas.
Como ler um vinho italiano
Os vinhos italianos de denominação de origem se dividem em DOCG e DOC; abaixo deles ficam as IGTs, vinhos regionais que podem usar uvas de fora da região, e os Vini da Tavola. Além da categoria, o rótulo costuma trazer termos como Classico (uvas de áreas históricas), Superiore (teor alcoólico mínimo estabelecido) e Riserva (envelhecimento mínimo).
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- ConceitoDenominações da Itália (DOCG, DOC, IGT e Vino da Tavola)
- RegiãoPiemonte
- RegiãoVênetomaior colheita em 2024
- ConceitoTermos do rótulo italiano (Classico, Superiore, Riserva e outros)
- RegiãoToscana
- RegiãoPugliasegunda maior colheita em 2024
- RegiãoEmília-Romanha
- RegiãoSicília
- ConceitoSupertoscanos
- ConceitoAppassimento
- RegiãoCampânia
- RegiãoTrentino-Alto Ádige
- RegiãoLombardia
- RegiãoAbruzzo
- RegiãoFriuli Venezia Giulia
- RegiãoMarche
- RegiãoÚmbria
- RegiãoLácio
- ConceitoVin Santo
- RegiãoSardenha
- RegiãoBasilicata
- RegiãoCalábria